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Neve, granizo e geada no telhado: onde contam, o que fazer depois e como prevenir

Quão raros são a neve, o granizo e a geada em Portugal (normais do IPMA), o peso da neve segundo o Eurocódigo, o que o granizo faz a telhas e painéis solares, o gelo na telha e o que fazer depois de um episódio.

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8 min
Revisto
05/11/2026
Neve, granizo e geada no telhado: onde contam, o que fazer depois e como prevenir

Neve, granizo e geada não são o que mais estraga telhados em Portugal. Mas, onde acontecem, estragam de maneira própria: peso, pancadas e gelo dentro da telha. Este guia diz onde estes riscos contam, o que fazer depois de um episódio e o que não conseguimos confirmar.

Atualizado a 4 de novembro de 2026. Informação geral. Não é um cálculo de estruturas: a carga de neve de uma casa só o projetista a determina.

O essencial

  • A neve é rara fora da serra. Nas normais do IPMA, Lisboa e Faro não têm dias de neve e Penhas Douradas (1380 m) tem cerca de 25 por ano.
  • O granizo é raro e não escolhe zona. Cai no litoral e no interior, em aguaceiros muito localizados.
  • O gelo estraga a telha por dentro. Em zonas frias, peça a classe de resistência ao gelo.
  • Depois do episódio, não suba ao telhado. Fotografe do chão e avise a seguradora.
  • Obra em zona alta: pergunte ao projetista pela carga de neve.

Quão raros são estes eventos?

O IPMA publica o número médio de dias por ano com neve e granizo nas normais de 1971 a 2000 e, para a geada, nas de 1991 a 2020 (dias com temperatura mínima abaixo de 0 °C):

Estação (altitude) Dias com neve Dias com granizo Dias de geada
Penhas Douradas (1380 m) 24,9 2,0 54,4
Montalegre (1005 m) 18,5 2,5 41,3
Guarda (cerca de 1000 m) 11,7 1,6 31,9
Bragança (690 m) 6,1 1,2 53,4
Vila Real (480 a 560 m) 1,4 3,4 16,7
Porto, Pedras Rubras (70 m) 0,2 4,6 1,4
Lisboa (77 m) 0,0 1,5 0,0
Faro (poucos metros) 0,0 1,1 0,0

O número de dias não diz o tamanho das pedras. E o IPMA explica que o granizo se regista à vista, só em estações clássicas, cada vez menos, por isso estes números ficam curtos.

Neve: o peso no telhado

Os edifícios projetam-se com o Eurocódigo 1, parte 1-3 (NP EN 1991-1-3), e o seu Anexo Nacional. Não encontrámos o anexo de acesso livre. Lemos uma sebenta do Instituto Superior Técnico (2011) que o resume. Segundo ela:

  • o país tem três zonas de neve, Z1, Z2 e Z3. No mapa da sebenta, a Z1 cobre o interior do centro e do nordeste; o sul e as ilhas ficam na Z3;
  • a neve no solo, em kN/m², é sk = Cz × [1 + (H/500)²], com H a altitude em metros e Cz igual a 0,30 (Z1), 0,20 (Z2) e 0,10 (Z3), para 50 anos de retorno. A carga no telhado depende ainda da forma e do vento;
  • na Z1 conta-se também um deslocamento excecional de neve na cobertura. Em Aguiar da Beira, Fornos de Algodres, Mangualde, Nelas, Penalva do Castelo, Sátão e Viseu, conta ainda uma queda excecional, com a neve no solo multiplicada por 2,5.

A altitude pesa ao quadrado. Na fórmula, a altitude entra elevada ao quadrado: subir de altitude aumenta muito a carga da neve no solo. A zona do seu concelho vem no mapa do anexo nacional, que não vimos.

Junto ao mar, a neve quase não entra nas contas. Na serra da Estrela, em Montalegre ou em Bragança, o telhado novo ou substituído deve ser calculado com ela. A inclinação também conta: o guia da APICER diz que a neve pede inclinações maiores, para evitar sobrecargas. Veja a inclinação mínima.

Num aviso de neve (28 de fevereiro de 2025, para neve acima de 1200 a 1400 m), a Proteção Civil pede que se desentupam os escoamentos, se fixem estruturas soltas e se evitem deslocações. Não fala de limpar neve de telhados.

Granizo: telhas, claraboias e painéis

Nas estações clássicas, o granizo é mais frequente entre fevereiro e abril. Em 30 e 31 de maio de 2020, o IPMA confirmou por radar granizo na Guarda, no Fundão e em Castelo Branco, entre outros concelhos, com avisos laranja e vermelhos. Em 12 de junho de 2023, houve granizo na Beira Alta e em Trás-os-Montes, em alguns casos durante dezenas de minutos.

Telhas. Não encontrámos testes de granizo a telhas portuguesas. Num estudo suíço (2007), as telhas de barro estão entre os materiais mais resistentes quanto à estanquidade. O ensaio com bolas de gelo de 10 a 50 mm dá cinco classes, e as telhas planas de barro do estudo ficam na classe 4 (40 mm). O estudo separa dano estético (lascas) de dano funcional (telha partida, água a entrar).

Painéis solares. O Departamento de Energia dos EUA (FEMP) diz que o ensaio-base da IEC 61215 usa gelo de 25 mm a 23 m/s e não chega para granizo severo. Aconselha vidro frontal de pelo menos 3,2 mm e avisa que o granizo pode fissurar células sem partir o vidro. Veja os painéis solares e as claraboias, das quais não encontrámos dados.

Geada e gelo

Quando a água dentro da telha gela, a telha lasca. O guia da APICER e do CTCV (2018) manda substituir a telha que descasca e, como prevenção, ventilar bem a face inferior e usar telha com resistência comprovada ao gelo e pouca absorção. Desde 2017, as telhas de argila de uso exterior têm classes de 1 a 3, de 30 a 150 ou mais ciclos de gelo-degelo. A tabela está nas telhas e clima.

Gelo nos beirais. Numa universidade americana, explica-se assim: o calor da casa derrete a neve, a água corre até ao beiral frio e gela, e forma um dique. As causas são pouco isolamento, ar quente a passar para o sótão e ventilação fraca. Vem de climas bem mais frios e não encontrámos dados portugueses. Segundo a fonte, a solução está em vedar e isolar. Veja o isolamento e a limpeza das caleiras, que a ANEPC pede desimpedidas.

Depois de granizo ou neve

  1. Não suba. Neve e gelo escorregam: veja os trabalhos em altura.
  2. Não fique sob o beiral: podem cair telhas soltas, neve ou gelo.
  3. Fotografe do chão, com data, antes de mexer. Veja as primeiras 48 horas.
  4. Avise a seguradora no prazo da apólice. Procure nela «granizo», «neve» e «peso da neve». Veja o seguro contra tempestades.
  5. Se o teto estalar ou ceder com muita neve (sugestão nossa), saia da divisão e chame um engenheiro; em perigo, 112.
  6. Painéis solares: desligue o sistema até haver inspeção. A FEMP pede exame no prazo de um mês.

O que o empreiteiro deve verificar

Sugestão nossa, com base nas fontes acima: telhas partidas, lascadas ou deslocadas; rufos, remates, claraboias e caleiras amolgados; ventilação sob a telha e isolamento, se há gelo ou condensação; fixação, vidro e ligações dos painéis. Peça por escrito o que é dano novo e o que já existia, por causa do seguro. Veja como escolher o empreiteiro.

Veja também: Sobre a estrutura que sustenta a cobertura, veja madeira, betão e metal.

O que não conseguimos confirmar

  • O texto do Anexo Nacional. Lemos só a sebenta de 2011. Há uma emenda de 2017 (A1) que não lemos e que pode mudar valores. O mapa não deixa ver a zona de cada concelho.
  • A zona de neve da sua freguesia. Peça-a ao projetista.
  • Quanto granizo cai por região: só há dias observados à vista.
  • Se o seu seguro cobre neve ou granizo. Depende da apólice.
  • Testes de granizo a telhas e claraboias portuguesas, e gelo nos beirais em Portugal.
  • As normas EN 1304 e EN 539-2: são vendidas e não as lemos.

Fontes (lidas a 4 de novembro de 2026)

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