Um telhado com pouca inclinação deixa a água demorar a descer, e a água que demora acaba por entrar. Cada modelo de telha tem uma inclinação mínima, que sobe com o comprimento da vertente, com a exposição ao vento e com a zona do país. Este guia mostra os valores publicados por um fabricante português, explica como os ler, o que acontece abaixo deles e como medir a inclinação sem subir ao telhado. Não indicamos empresas nem preços.
Atualizado a 3 de novembro de 2026. Informação técnica geral, não substitui a ficha do fabricante nem o projeto de um técnico.
O essencial
- Não há um valor único. A inclinação mínima depende do modelo da telha, da zona climática (1, 2 ou 3), da exposição (protegida, normal ou exposta) e do comprimento da vertente.
- Os números deste guia são de um fabricante. Vêm da Cerâmica Torreense. O guia da APICER e do CTCV não traz tabela, e outros fabricantes podem dar valores diferentes.
- Abaixo do mínimo, o fabricante exige meios suplementares de estanquidade. Sem eles, a chuva com vento pode entrar por baixo da telha.
- Mede-se em percentagem: subida a dividir pela distância horizontal, vezes 100. Faça-o do sótão ou numa fotografia, não em cima do telhado.
- Na substituição, pergunte antes de mudar a inclinação. Mudar a forma do telhado pode pedir procedimento na Câmara.
Como se lê a inclinação
Inclinação em percentagem = subida ÷ distância horizontal × 100. Um telhado a 30% sobe 30 centímetros por cada metro na horizontal, cerca de 17 graus. O guia da APICER e do CTCV chama «cobertura inclinada» à que passa de 8% (cerca de 4,6 graus); abaixo disso é terraço, com outras regras. Quanto mais inclinado, maior é a área real do telhado: a calculadora de área faz essa conta.
Os valores de um fabricante português
A Cerâmica Torreense publica, para cada modelo, uma tabela de «inclinações mínimas recomendadas». Esta é a da telha lusa (a da Milénio tem os mesmos valores), em percentagem:
| Vertente | Exposição | Zona 1 | Zona 2 | Zona 3 |
|---|---|---|---|---|
| até 6 m | protegida | 21 | 25 | 30 |
| até 6 m | normal | 23 | 28 | 33 |
| até 6 m | exposta | 27 | 33 | 38 |
| 6 a 10 m | protegida | 23 | 28 | 33 |
| 6 a 10 m | normal | 26 | 31 | 37 |
| 6 a 10 m | exposta | 30 | 36 | 42 |
| mais de 10 m | protegida | 25 | 30 | 36 |
| mais de 10 m | normal | 28 | 34 | 40 |
| mais de 10 m | exposta | 33 | 39 | 46 |
Para os outros modelos do mesmo fabricante, a mesma tabela dá, em exposição normal, vertente de 6 a 10 m (zonas 1, 2 e 3): marselha 36, 40 e 45; canudo 44, 50 e 55. Em todas as situações, a marselha vai de 29 a 57 e o canudo de 36 a 70. A lusa vai de 21 a 46.
Como ler:
- Vertente: a tabela chama-lhe «pendente». Lemos como o comprimento do plano do telhado, do beiral à cumeeira. Confirme com o fabricante.
- Exposição: o fabricante define protegida (zona rodeada de elevações, abrigada dos ventos), normal (zona plana, com ligeiras ondulações) e exposta (litoral até 5 km do mar, falésias, ilhas, penínsulas estreitas, estuários, baías, regiões montanhosas e planaltos; também edifícios muito altos).
- Zona: vem de um mapa do fabricante que combina vento e precipitação. A zona do seu concelho está nesse mapa, não nesta página.
- Com forro, o valor pode baixar. As tabelas valem para coberturas sem forro (telha vã). Com forro, o fabricante diz que se pode reduzir 1/7, citando uma norma francesa (DTU 40.21). Por exemplo, 33% passaria a cerca de 28% (conta nossa).
O que acontece se a inclinação for baixa
- O fabricante manda reforçar. Com inclinação inferior à recomendada, a Torreense diz ser obrigatório usar elementos suplementares que garantam a estanquidade. Diz também que, se não se cumprirem as suas especificações, não responde por a telha falhar na sua função.
- Chuva com vento. O mesmo fabricante explica que o pior para a estanquidade é a chuva e o vento em conjunto, que podem fazer a água subir pelo telhado.
- A telha não chega. O guia da APICER e do CTCV lembra que a impermeabilidade da telha não garante sozinha a estanquidade: a inclinação e a aplicação correta contam. Na sua lista de defeitos de coberturas de telha cerâmica aparecem «inclinação excessiva ou insuficiente» e «drenagem insuficiente (fraca inclinação e secção de caleiras)», ambos com origem no projeto.
- Sinais (conclusão nossa, sem fonte): manchas no teto só com chuva e vento, telhas sempre húmidas ou com musgo, água parada nas caleiras. Veja as causas de infiltração e o guia da humidade em casa.
E se for muito inclinado?
O mesmo guia diz que, com forte inclinação ou muito vento, a telha canudo pede fixação reforçada, porque pode escorregar. A neve pede inclinações maiores, para evitar sobrecargas na estrutura. E uma inclinação maior ajuda contra o gelo. Mais sobre clima no guia das telhas por clima.
Como medir sem subir
Estes passos são nossos, não de uma fonte:
- No sótão: em cima de uma vara (a viga inclinada), marque 100 cm na horizontal com um nível e meça a subida na vertical. Os centímetros são a percentagem. Uma aplicação de inclinómetro no telemóvel, assente na vara, dá os graus.
- Do chão: se tiver uma parede triangular (empena), fotografe-a de frente e de longe, com o telemóvel direito. A altura do triângulo a dividir por metade da largura dá um valor aproximado.
- Só se o chão do sótão for seguro. Não pise forros.
Se a medida ficar abaixo da tabela, fale com um técnico. Não suba: veja os trabalhos em altura.
O que perguntar ao empreiteiro
- Qual é a inclinação medida e qual a mínima do modelo para a minha zona, exposição e vertente?
- Se fica abaixo, que meios suplementares de estanquidade vão ser postos, e onde estão no orçamento?
- A inclinação muda? Se muda, a Câmara foi consultada? (veja a licença de obras)
- A garantia do fabricante e da obra fica válida? (veja a garantia da obra)
O que não conseguimos confirmar
- Tabelas de outros fabricantes. Procurámos a de um segundo fabricante português e a página não abriu. Os valores podem diferir.
- A zona de cada concelho. O mapa é uma imagem, sem lista de concelhos.
- Betão, ardósia, metal, sandwich e fibrocimento. Não lemos fichas com data.
- Uma regra legal de inclinação mínima. Não a encontrámos.
- O significado exato de «pendente» na tabela e a data da tabela: a página não a mostra.
Fontes (lidas a 3 de novembro de 2026)
- Cerâmica Torreense, Telha lusa, especificações técnicas, telha marselha, telha canudo e telha Milénio (tabelas, nota do forro, garantia).
- Cerâmica Torreense, Inclinação (cobertura inclinada acima de 8%, exposição, medidas suplementares) e glossário do mesmo site (chuva com vento).
- APICER e CTCV, Guia para Projeto e Aplicação de Telhas Cerâmicas, 2018 (quadro de defeitos, canudo, gelo, neve, convenção dos 8%). Não tem tabela de inclinação mínima.
