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Tipos de telha e clima em Portugal: gelo, sal, vento, calor e neve

Os cinco formatos de telha cerâmica (lusa, marselha, canudo, romana, plana), o que o clima pede a cada telha e as perguntas a fazer antes de comprar. Com verificação rápida por zona.

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02/11/2026
Que cuidados para o meu clima?

Responda a três perguntas. O resultado resume o que o guia diz para o seu caso e as perguntas a fazer ao fornecedor. Não guarda nem envia nada.

Onde fica a casa?
Quanto vento apanha o telhado?
Que telha pensa usar?

O que deve pesar na escolha, por ordem

  1. Sal do marO sal cristaliza sob a superfície e descasca a telha. Convém telha com resistência comprovada ao gelo-degelo e baixa absorção de água.Pergunte: Qual é a absorção de água da telha e a classe de gelo?
  2. VentoO vento levanta peças nas cumeeiras, rincões e bordos. Pode ser preciso fixar mecanicamente, em número e forma recomendados pelo fabricante.Pergunte: Quantas telhas vão fixadas, com que acessórios, e como ficam as cumeeiras, rincões e bordos?
  3. Chuva e inclinaçãoA telha ser impermeável não chega: a inclinação, os remates, as caleiras e a aplicação correta decidem a estanquidade.Pergunte: Qual é a inclinação mínima do modelo para a minha localidade e exposição, e o telhado cumpre?
  4. IsolamentoAo renovar, o isolamento tem de cumprir a Portaria 138-I/2021 (U máximo 0,40, 0,35 ou 0,30 W/m²·°C nas zonas I1, I2 e I3, para habitação no continente).Pergunte: Qual é a minha zona climática de inverno e o isolamento previsto na cobertura?

Resumo do guia, não um cálculo. Zonas de vento e neve, inclinação mínima e classe climática do concelho têm de ser confirmadas pelo técnico e pela ficha do fabricante.

Em Portugal quase todas as casas com telhado inclinado usam telha cerâmica, mas o clima não é igual de Bragança a Faro, nem na serra e na praia. Um mesmo modelo de telha pode durar décadas num sítio e descascar em poucos invernos noutro. Este guia explica os tipos de telha que existem, o que o clima pede (chuva, gelo, sal, vento, calor, neve) e as perguntas certas a fazer antes de comprar. Não damos «a melhor telha para cada concelho»: não existe fonte oficial que o diga, e dizemos onde faltam dados.

Atualizado a 2 de novembro de 2026. Informação técnica geral, não substitui o projeto de um técnico nem a ficha do fabricante.

O essencial

  • A telha cerâmica comercializada em Portugal reparte-se em cinco formatos: lusa, marselha, canudo, romana e plana. Diferem no peso, no tamanho, no encaixe e em quantas telhas entram por metro quadrado.
  • O clima pede coisas diferentes à telha: resistência ao gelo no interior frio, baixa absorção e sal no litoral, fixação em zonas ventosas, cor clara e ventilação no calor.
  • O gelo mede-se: desde 2017 as telhas de argila para uso exterior têm três classes de resistência ao gelo, de 30 a mais de 150 ciclos de gelo-degelo. Pergunte a classe.
  • A telha canudo exige fixação com grampos. Sem ela, escorrega, sobretudo com inclinação forte ou muito vento.
  • Não há inclinação mínima única. Depende do modelo, do clima e da exposição. Está na ficha técnica do fabricante, não numa regra geral.
  • O telhado funciona como sistema: inclinação, ventilação sob a telha, remates e fixações pesam tanto como a telha.

Os cinco formatos de telha cerâmica

O Guia para Projeto e Aplicação de Telhas Cerâmicas (APICER e CTCV, 2018) divide as telhas comerciais em: telha de aba e canudo (lusa e romana), telha plana com encaixe (marselha e plana) e telha sem encaixe (canudo). Valores médios do guia:

Formato Peso por telha Comprimento × largura Espaçamento do ripado Telhas por m²
Lusa 3,0 a 4,0 kg 42 a 48 × 23 a 30 cm 36 a 42 cm 10 a 14
Marselha 3,2 a 4,0 kg 42 a 47 × 23 a 27 cm 32 a 40 cm 10 a 12
Canudo 1,6 a 2,5 kg 40 a 47 × 12 a 22 cm 30 a 40 cm 22 a 35
Romana 1,8 a 4,0 kg 40 a 57 × 12 a 20 cm 25 a 46 cm 18 a 35
Plana 3,5 a 4,6 kg 42 a 50 × 25 a 30 cm 37 a 39 cm 11 a 13

O que isto quer dizer na prática:

  • Mais telhas por m² (canudo, romana) significa mais peças e mais juntas para vigiar, mas telhas mais leves.
  • Os valores são intervalos de «características médias» do mercado. O fabricante concreto tem os seus: confirme na ficha do modelo.
  • O nome muda de região para região. O próprio guia avisa que a terminologia portuguesa varia consoante a zona do país, também nos acessórios.

O clima de Portugal em poucas linhas

Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), a maior parte do continente tem clima temperado de tipo Cs (verão seco), com duas variedades na classificação de Köppen:

  • Csa, verão quente e seco: vale interior do Douro (parte do distrito de Bragança) e as áreas a sul do sistema Montejunto-Estrela, exceto a costa ocidental do Alentejo e o Algarve.
  • Csb, verão seco e suave: quase todo o território a norte do sistema Montejunto-Estrela, a costa ocidental do Alentejo e o Algarve.

O IPMA diz que esta classificação usa as normais de 1971 a 2000. Para frio e geada, o IPMA publica nas normais 1991-2020 a variável «média do número de dias com temperatura mínima igual ou inferior a 0 °C», por estação. Consulte a estação mais perto da sua casa: a geada muda muito com a altitude e com o vale.

Cinco perigos e o que fazer com a telha

1. Chuva: a telha não chega

A impermeabilidade vem da argila e da cozedura. Mas o guia da APICER e do CTCV é claro: «a impermeabilidade das telhas não é o único garante da estanquidade». A inclinação, a aplicação correta das telhas e dos acessórios (cumeeiras, rincões, rufos) fazem a diferença. Na lista de defeitos mais comuns, o guia aponta inclinação excessiva ou insuficiente e drenagem insuficiente (fraca inclinação e caleiras pequenas) como problemas de projeto.

2. Gelo: peça a classe

Em regiões frias a telha molhada congela e descongela muitas vezes, e a água que gela dentro da telha pode descascá-la. O Regulamento Delegado (UE) 2017/1475, de 26 de janeiro de 2017, criou três classes de resistência ao gelo para telhas de argila de uso exterior (EN 1304), segundo o ensaio da EN 539-2:

Classe Ciclos de gelo-degelo sem danos inaceitáveis
1 150 ou mais
2 90 a 149
3 30 a 89

O guia da APICER acrescenta duas medidas contra o gelo: ventilar bem a face inferior da telha e maior inclinação. E manda substituir a telha que descasca, porque não recupera. Pergunte ao fornecedor a classe de gelo declarada e peça a declaração de desempenho.

3. Sal e litoral

Nas zonas costeiras as telhas estão sujeitas ao ambiente salino. O guia explica que o descasque pode vir do gelo ou do sal, porque a água ou os cloretos cristalizam por baixo da superfície e a destacam. Para reduzir o risco recomenda telha com resistência comprovada ao gelo-degelo e com reduzida absorção de água. O guia lembra ainda que as telhas estão sujeitas aos agentes de limpeza usados na manutenção: confirme o produto antes de limpar.

4. Vento

O vento levanta peças nas cumeeiras, rincões e bordos. O guia diz que podem ser necessárias fixações mecânicas, em número e forma recomendados pelo fabricante, e que existem telhas com pernas de apoio ou furos de fixação, mais grampos de reforço.

Dois casos que o guia destaca:

  • Telha canudo. Exige fixação regular, com grampos resistentes à corrosão, sob pena de escorregamento. Com forte inclinação ou muito vento, pede grampos mais resistentes ligados às ripas por prego ou argola, pelo menos de quatro em quatro fiadas. Nas situações mais críticas, fixar todos os grampos ou aparafusar as telhas.
  • Argamassa. Deve evitar-se em zona corrente, cumeeiras e rincões: acrescenta peso, move-se de modo diferente da telha e dificulta a manutenção.

5. Calor e sol

A reflexão solar da telha importa no verão. O guia explica que telhas com índice de reflexão mais alto aquecem menos e passam menos calor para dentro, e que as telhas mais claras costumam refletir mais. Os ganhos de calor também se reduzem com isolamento da cobertura e com ventilação natural da face inferior das telhas.

E a neve?

O guia nota que a neve pede inclinações maiores, para evitar sobrecargas que comprometam a estrutura, e que a telha cerâmica tem resistência mecânica para sobrecargas distribuídas como a neve. Os valores de carga de neve por zona e altitude estão no Eurocódigo 1 e no seu Anexo Nacional, que não lemos: peça ao projetista.

Inclinação mínima: a resposta honesta

Procurámos uma tabela oficial de inclinação mínima por tipo de telha e não a encontrámos numa fonte portuguesa que pudéssemos ler. Sabemos o seguinte:

  • O guia da APICER e do CTCV não dá um valor. Diz que o telhado deve ter «inclinação adequada à localização e à severidade climática local» e, tanto quanto possível, semelhante à dos edifícios à volta.
  • Por convenção do guia, cobertura inclinada é a de inclinação superior a 8% (cerca de 4,5°). Abaixo disso é terraço, com outras regras.
  • Os fabricantes publicam tabelas de inclinação por modelo, que dependem do clima e da exposição. Não repetimos números de fontes não verificadas: fóruns, calculadoras e catálogos estrangeiros dão valores diferentes entre si.

O que fazer: peça ao empreiteiro a ficha técnica do modelo com a inclinação mínima para a sua localidade e exposição, e confirme que o telhado cumpre.

E o isolamento? A regra por zona climática

A Portaria n.º 138-I/2021, de 1 de julho, fixa requisitos mínimos de isolamento. Para habitação no continente, edifícios novos ou renovados (o texto da portaria define o que conta como renovação: pergunte ao técnico se a sua obra entra), o coeficiente de transmissão térmica máximo dos elementos horizontais da envolvente exterior é:

Zona climática de inverno I1 I2 I3
U máximo (W/m²·°C) 0,40 0,35 0,30

A zona (I1, I2 ou I3) depende do concelho: não encontrámos a lista de concelhos por zona numa fonte que pudéssemos ler, por isso diga ao técnico o seu concelho e peça a zona. Veja também os apoios para isolar o telhado.

E betão, ardósia, metal e painel sandwich?

Existem normas e fichas próprias para cada um (por exemplo a EN 490 para telha de betão e a EN 14509 para painéis sandwich). Não comparamos o desempenho climático destes materiais, porque não encontrámos fontes oficiais ou fichas de fabricantes portugueses com datas que o permitam. Se estiver a pensar mudar de material, peça ao empreiteiro a declaração de desempenho e a ficha técnica, e confirme se a mudança precisa de procedimento na câmara (veja o guia da licença de obras em telhados).

Perguntas para fazer antes de comprar

  1. A telha tem marcação CE e declaração de desempenho segundo a EN 1304 (cerâmica)?
  2. Qual é a classe de resistência ao gelo declarada (1, 2 ou 3)?
  3. Qual é a absorção de água (importante no litoral)?
  4. Qual é a inclinação mínima do modelo para a minha localidade e exposição?
  5. Como vai ser a fixação (número de telhas fixadas, grampos, cumeeiras e rincões a seco ou com argamassa)?
  6. Há ventilação sob a telha e nas cumeeiras e beirais?
  7. Que subtelha, rufos e remates estão previstos?
  8. Qual é o peso por m² e a estrutura aguenta (importante se muda de material)?
  9. A telha é de cor clara e vai com isolamento? (importante no sul)

Peça tudo por escrito no orçamento (veja o guia do IVA nas obras de telhado para a fatura).

O que não conseguimos confirmar

  • Inclinação mínima por tipo de telha. Não há valor no guia da APICER e do CTCV, e as fichas dos fabricantes que encontrámos não estavam acessíveis ou eram estrangeiras.
  • Zonas de vento e de neve do Eurocódigo 1 e do Anexo Nacional (e do antigo RSA), por concelho e altitude.
  • Dias de geada por localidade. O IPMA tem os dados nas normais 1991-2020, mas só em mapa interativo, sem tabela que pudéssemos ler.
  • Zona climática (I1, I2, I3) de cada concelho.
  • Desempenho climático de betão, ardósia, metal e sandwich.
  • Preços. Não os indicamos sem fonte datada.

Fontes (lidas a 2 de novembro de 2026)

  • APICER e CTCV, Guia para Projeto e Aplicação de Telhas Cerâmicas, 2018 (formatos e valores médios, gelo, sal, vento, fixação, reflexão solar, defeitos mais comuns).
  • Regulamento Delegado (UE) 2017/1475 da Comissão, de 26 de janeiro de 2017, texto no legislation.gov.uk (classes de resistência ao gelo das telhas de argila).
  • IPMA, Normais climatológicas, classificação do clima (Köppen, Csa e Csb; variável de dias com temperatura mínima ≤ 0 °C nas normais 1991-2020).
  • Portaria n.º 138-I/2021, de 1 de julho, Diário da República, 1.ª série, n.º 126 (tabela de U máximo; lida num excerto reproduzido em PDF, não no site do jornal oficial).
  • EN 1304, EN 539-2, EN 490 e EN 14509: citadas através das fontes acima e de fichas de terceiros, normas não lidas.

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