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Sismos e telhados em Portugal: chaminés, telhas, o que fazer e a lei das obras

O que acontece ao telhado num sismo, os prédios antigos mais frágeis, o que fazer antes, durante e depois segundo a Proteção Civil, quando uma obra pede relatório sísmico e o que não conseguimos confirmar.

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Leitura
8 min
Revisto
04/11/2026
Sismos e telhados em Portugal: chaminés, telhas, o que fazer e a lei das obras

Num sismo, telhas, chaminés e platibandas estão entre as primeiras coisas a cair. Este guia explica o que acontece à cobertura, o que fazer antes e logo a seguir, e o que a lei pede quando faz obras.

Atualizado a 4 de novembro de 2026. Informação geral. Não é uma avaliação estrutural e não garante a segurança de nenhum edifício: isso só um engenheiro civil pode avaliar, prédio a prédio.

O essencial

  • Ninguém prevê sismos. O IPMA diz que a previsão a curto prazo ainda não existe. Prepare-se antes.
  • O topo da casa é o ponto fraco. O IPMA refere a queda de chaminés, varandas e tetos, e diz que a maioria dos acidentes vem do que cai.
  • Durante: baixar, proteger, aguardar. São os três gestos da Proteção Civil (ANEPC).
  • Depois: não suba ao telhado. Saia se a casa tiver danos graves e só volte quando as autoridades o aconselharem. Emergências: 112.
  • Algumas obras no telhado pedem relatório sísmico (Portaria n.º 302/2019).

O risco em Portugal

O IPMA descreve o continente como uma zona de sismicidade intermédia. A brochura da ANEPC e da Associação Portuguesa de Seguradores (2018) diz que Lisboa e o Algarve estão entre as regiões mais propensas a sismos.

As estruturas projetam-se com o Eurocódigo 8 (NP EN 1998-1:2010) e o seu Anexo Nacional. Segundo o estudo do LNEC que preparou o anexo, há dois cenários: tipo 1, sismos com epicentro sobretudo no mar, e tipo 2, sobretudo em terra. Cada concelho ficou numa zona. A zona do seu concelho é dada pelo engenheiro do projeto.

O que acontece a um telhado num sismo

Uma tese da Faculdade de Engenharia do Porto (FEUP, 2020) estudou chaminés, platibandas e guarda-corpos no topo de casas antigas de pedra e diz que podem ser muito vulneráveis. Lista o que decide se uma fachada antiga cai para fora: as ligações entre paredes, as ligações das paredes aos pisos e à cobertura, os tirantes ou vigas de coroamento e a qualidade da alvenaria. Lembra que a cobertura pode empurrar as paredes e que o seu peso gera forças no sismo.

A tabela junta as fontes e as nossas sugestões práticas:

Elemento Porque preocupa O que fazer
Chaminé Alta e estreita. O IPMA refere chaminés que desabam e incêndios com origem nelas Avaliação por engenheiro; o remate vê-se no guia de chaminés e rufos
Platibanda Muro no topo da fachada, pode cair para a rua Avaliação por engenheiro
Telhas soltas Podem cair com o abanão Substituir na manutenção normal
Ligação cobertura-paredes Se for fraca, não trabalham juntas Só um engenheiro projeta o reforço
Cobertura pesada em paredes fracas Mais massa no topo Não mudar sem avaliação estrutural

Prédios antigos. O LNEC diz que os «gaioleiros» (de meados do século XIX ao início do século XX) têm elevada vulnerabilidade sísmica, por usarem materiais fracos e técnicas deficientes. Nos seus ensaios, reforçar as ligações das paredes aos pisos e pôr tirantes entre paredes opostas ajudou sobretudo a controlar o colapso das paredes para fora. Os pombalinos foram pensados depois de 1755 para resistir melhor, mas um estudo do IST e do LNEC diz que a maioria precisa hoje de reforço, também por causa de obras antigas que prejudicaram a sua resistência sísmica.

Uma cobertura mais leve não chega. Na nossa leitura das fontes, o peso é só um fator: as ligações, as paredes e a madeira também contam. Uma cobertura leve, sozinha, não torna um edifício seguro, e mudar o peso pode alterar o comportamento da estrutura. Antes de um painel sandwich, fale com um engenheiro.

Antes: o que pode fazer

  • Olhe do chão, com binóculos: telhas fora do sítio, chaminé inclinada ou com fendas. Não suba (veja trabalhos em altura).
  • Peça uma avaliação a um engenheiro civil se a casa é antiga, de alvenaria, tem chaminé alta ou platibanda sobre a rua, ou se houve obras que tiraram paredes.
  • Siga a ANEPC: fixe estantes e móveis pesados às paredes, ponha os objetos pesados em baixo, prepare um kit de emergência e ensine todos a cortar a água, o gás e a eletricidade.
  • Veja o seguro. A ANEPC pede que confirme se a apólice cobre sismo; em 2018, a brochura estimava que só 15% das casas tinham essa cobertura. O Governo anunciou em abril de 2026 um seguro obrigatório para habitações, mas não encontrámos a lei publicada. Veja o guia do seguro da casa.

Durante o sismo

Baixe-se, proteja a cabeça e o pescoço e aguarde que a terra pare. Dentro de casa, abrigue-se junto a uma viga ou pilar, num canto ou debaixo de uma mesa robusta, longe de janelas. Não corra para as escadas nem use o elevador. Na rua, afaste-se de edifícios degradados, muros, chaminés e varandas (ANEPC).

Depois do sismo

Da ANEPC: conte com réplicas e, perto do mar, com tsunami (vá para um sítio alto e aberto). Corte a água e o gás e desligue a eletricidade, e não acenda fósforos. Saia de casa se houver danos graves ou perigo de derrocada. Para feridos graves, fugas de gás ou incêndios, ligue 112.

O que acrescentamos, como bom senso e não como regra oficial:

  1. Não suba ao telhado nem ao sótão se vir fendas novas ou ouvir estalos. As réplicas soltam o que ficou preso.
  2. Veja de longe: chaminé torta, cumeeira fora do sítio, empena com fendas, telhas no chão.
  3. Dentro, procure fendas novas em paredes e tetos, sobretudo em diagonal ou junto aos cantos, e portas que deixaram de fechar. Fotografe tudo (veja as primeiras 48 horas).
  4. Chame um engenheiro civil se vir estes sinais. Se há perigo para a rua ou para vizinhos, avise a câmara: o RJUE deixa-a mandar fazer obras de segurança ou demolir o que ameace ruína, a pedido de qualquer interessado (artigo 89.º), e dispensar formalidades se houver risco iminente de desmoronamento (artigo 90.º, n.º 8).

A lei quando mexe no telhado

Reparar como estava é obra de conservação (veja a licença de obras no telhado). As regras sísmicas entram nas obras de alteração, ampliação ou reconstrução, seja qual for a idade do prédio (Decreto-Lei n.º 95/2019).

A Portaria n.º 302/2019, em vigor desde 15 de novembro de 2019, exige um relatório de avaliação de vulnerabilidade sísmica quando há:

  • sinais evidentes de degradação da estrutura;
  • alteração do comportamento estrutural do edifício;
  • área intervencionada acima de 25% da área bruta de construção;
  • custo acima de 25% do de uma construção nova equivalente.

Em escolas, hospitais e outros edifícios das classes de importância III ou IV, os limites descem para 15%. Se o edifício não cumprir 90% da ação sísmica da NP EN 1998-3:2017, é obrigatório um projeto de reforço sísmico. Segundo a Câmara de Amarante, o relatório é feito por técnico habilitado em engenharia civil.

O decreto-lei revogou, para edifícios, o Regulamento de Segurança e Ações (RSA, de 1983) e o regulamento contra os sismos de 1958. O Despacho Normativo n.º 21/2019 pôs os Eurocódigos nos projetos de estruturas de edifícios, com três anos de transição.

Na nossa leitura, trocar uma cobertura pesada por uma leve, ou a madeira por betão, pode «alterar o comportamento estrutural». Pergunte ao engenheiro e à câmara, por escrito, antes de contratar.

Apoios

Não encontrámos apoio nacional ao reforço sísmico de casas particulares; o fundo anunciado em 2026 trata de seguros. Em Lisboa, segundo a Lusa (junho de 2025), o programa ReSist devia lançar em 2026 um apoio técnico a edifícios privados, que não confirmámos.

O que não conseguimos confirmar

  • A zona sísmica de cada concelho: lemos o estudo do LNEC (2008), não a norma, que é vendida pelo IPQ.
  • A numeração do artigo sísmico do Decreto-Lei n.º 95/2019: a portaria fala no 7.º, a versão consolidada que lemos mostra o 8.º. O Diário da República não respondeu a 4 de novembro de 2026.
  • Alterações de 2026 ao decreto-lei e à portaria, depois da revisão do RJUE.
  • Se trocar a cobertura conta como alteração estrutural: não lemos interpretação oficial.
  • O apoio técnico do ReSist e a lei do seguro obrigatório.
  • Um guia oficial para fixar chaminés e platibandas. Também não lemos a campanha «Aprender a prevenir» nem o Plano Nacional de Emergência.

Fontes (lidas a 4 de novembro de 2026)

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