TelhadoSeguro.ptEN

Gaivotas, pombos e ninhos no telhado: o que a lei permite e como prevenir

O que o Decreto-Lei n.º 140/99 proíbe, quando é precisa licença do ICNF, as coimas, os estragos nas caleiras, no beirado e no sótão, a prevenção permitida, o calendário das gaivotas e o que não conseguimos confirmar.

Tema
Regras
Leitura
7 min
Revisto
05/11/2026
Gaivotas, pombos e ninhos no telhado: o que a lei permite e como prevenir

Gaivotas no beirado, pombos debaixo das telhas, ninhos na caleira, dejetos no sótão. A lei protege as aves selvagens e os seus ninhos. Este guia explica o que diz a lei, que estragos as aves fazem, o que pode fazer sem licença e quando precisa do ICNF. Não vendemos estes serviços nem indicamos empresas.

Atualizado a 4 de novembro de 2026. Informação geral, não é parecer jurídico. Na dúvida, pergunte ao ICNF ou à câmara.

O essencial

  • Os ninhos estão protegidos, mesmo vazios. O Decreto-Lei n.º 140/99 proíbe destruir ninhos e ovos de aves selvagens e perturbar as aves, sobretudo na reprodução.
  • A gaivota-de-patas-amarelas não é exceção. Segundo a Área Metropolitana do Porto (AMP), remover um ninho desta espécie exige autorização do ICNF.
  • Há uma licença excecional do ICNF, por exemplo para evitar prejuízos graves à propriedade, e só se não houver alternativa satisfatória.
  • Prevenir é permitido: fechar buracos no beirado e na cumeeira, espigões ou redes onde as aves pousam, caleiras limpas. Sempre longe de ninhos ativos.
  • Veneno, colas, matar aves ou tirar ninhos sem licença: não.

O que diz a lei

O Decreto-Lei n.º 140/99, de 24 de abril, transpõe a diretiva europeia das aves. Aplica-se a todas as aves que ocorrem naturalmente no estado selvagem no território europeu da União, e aos seus ovos, ninhos e habitats (artigo 2.º). O artigo 11.º proíbe:

  • capturar, abater ou deter as aves, seja qual for o método;
  • perturbá-las, nomeadamente na reprodução e enquanto as crias dependem dos pais, quando o efeito seja significativo;
  • destruir, danificar, recolher ou deter ninhos e ovos, mesmo vazios;
  • deteriorar ou destruir os locais de reprodução e de repouso.

Isto abrange gaivotas, andorinhas, andorinhões e outras aves dos telhados. A alteração de 2013 não mexeu nestas regras.

E os pombos? O pombo-das-rochas (Columba livia) está no anexo D, a lista de espécies de caça. Para essas espécies, a proibição de capturar e abater não se aplica quando a lei da caça o permite (artigo 11.º, n.º 4). Essa exceção não abrange os ninhos e os ovos. Não encontrámos texto oficial que diga se o pombo de cidade conta como ave selvagem. Na dúvida, trate os ninhos como protegidos e pergunte ao ICNF.

A licença do ICNF

O artigo 20.º permite, a título excecional e com licença do ICNF, atos que o artigo 11.º proíbe. Não pode haver alternativa satisfatória, a conservação da espécie não pode ficar prejudicada e o pedido tem de servir uma finalidade da lei. Para um telhado, contam duas: evitar graves prejuízos à propriedade e garantir a saúde e a segurança públicas.

No texto de 2005, a licença dura no máximo um ano. O ICNF tem 45 dias úteis para decidir e, sem resposta nesse prazo, o pedido considera-se indeferido.

O formulário «Remoção de ninhos – Pedido de licença» (2026), na página do ICNF, pede espécie, número de ninhos, morada e razão. Permite pedir a remoção ou a transferência para uma plataforma alternativa e indica o envio para [email protected]. Espantar aves protegidas que causem prejuízos graves tem outro pedido de licença no ICNF.

Como o prazo é longo, peça no outono ou no inverno, antes da época dos ninhos. Num prédio, o telhado é em regra parte comum: veja quem decide e quem paga no condomínio.

Coimas

No texto de 2005, violar o artigo 11.º dá coima de 125 € a 3740 € para pessoas singulares e de 3990 € a 44 890 € para empresas (artigo 22.º, n.º 2). A negligência também é punida. O ICNF ou a CCDR podem mandar repor a situação (artigo 25.º). Fiscalizam, entre outros, o ICNF, as autarquias e a polícia (artigo 21.º). Confirme os valores: não lemos a versão consolidada atual.

Que estragos fazem as aves num telhado

A AMP aponta danos em telhados e painéis solares e caleiras entupidas. Os sítios a vigiar são:

  • Caleiras e tubos de queda. Ninhos, penas e dejetos travam a água, que transborda para o beirado e para a parede. Veja a limpeza de caleiras e as causas de infiltração.
  • Beirado, cumeeira e telhas fora do sítio. O guia da APICER e do CTCV diz que aves e roedores entram pelos intervalos entre telhas e acessórios e podem danificar o isolamento térmico. Pede acessórios que ventilem e impeçam a entrada de pequenos animais.
  • Sótão e painéis solares. Os dejetos acumulam-se onde ninguém vai. O desvão precisa de ar: leia sobre a condensação no sótão antes de tapar tudo. Por baixo dos painéis o espaço é abrigado (veja os painéis solares no telhado).

Saúde. A AMP refere risco de transmissão de agentes patogénicos pelas gaivotas, maior para crianças, idosos e pessoas com defesas baixas. O regulador britânico de segurança no trabalho (HSE) liga os dejetos de aves à psitacose e à salmonela. Manda molhar a zona antes de limpar, não usar máquina de alta pressão e usar máscara FFP3. Quem tem as defesas baixas não deve fazer este trabalho.

O que pode fazer e o que não pode

Permitido, longe de ninhos ativos:

  • fechar entradas no beirado, na cumeeira e nos remates, com peças que deixem ventilar;
  • trocar telhas partidas ou levantadas;
  • espigões ou redes de fios onde as aves pousam, como sugere a AMP;
  • redes a fechar vãos, depois de confirmar que não fica ave nem ninho lá dentro;
  • proteções nas caleiras, que continuam a precisar de limpeza;
  • não dar comida às gaivotas e manter o lixo fechado.

Segundo a AMP, as imitações de aves de rapina deixam depressa de funcionar e os drones tornam as gaivotas agressivas, com efeito que passa em poucas semanas.

Não permitido sem licença, ou nunca:

  • tirar ou destruir ninhos e ovos, mesmo vazios;
  • perturbar aves a chocar ou com crias;
  • matar ou capturar aves. Venenos, substâncias viscosas e redes não seletivas estão na lista de meios proibidos (anexo C);
  • tapar um buraco com aves ou crias lá dentro.

Primavera e verão, outono e inverno

Segundo a AMP, a reprodução da gaivota-de-patas-amarelas começa em geral em abril. As posturas começam no início de maio e as crias nascem entre o fim de maio e o início de junho.

Nos seis concelhos costeiros da AMP (Gaia, Maia, Matosinhos, Porto, Póvoa de Varzim e Vila do Conde), pode assinalar ninhos na aplicação «Gaivotas à Vista». Para gaivotas feridas, a AMP manda contactar a câmara.

Quanto custa e como escolher quem faz

Não damos preços: não há tabela oficial. O custo depende do acesso (andaime ou plataforma), da área de rede, dos espigões, das entradas a fechar, da limpeza e das reparações. Peça orçamentos com estas linhas separadas e passe-os pelo analisador de orçamentos.

Pergunte à empresa de controlo de pragas ou ao empreiteiro:

  1. Vai verificar primeiro se há ninhos ativos, e de que espécie?
  2. Se for preciso licença do ICNF, quem faz o pedido?
  3. Como garante que nenhuma ave fica presa atrás da rede?
  4. Como limpa os dejetos e que proteção usa? E contra quedas (veja os trabalhos em altura)?
  5. Que garantia dá às redes e espigões, e quem faz a manutenção?

Desconfie de quem proponha veneno ou «limpar» ninhos na primavera sem licença. Veja também como escolher um empreiteiro.

O que não conseguimos confirmar

  • A versão consolidada atual do Decreto-Lei n.º 140/99. Bases de dados jurídicas referem uma alteração de 2026 que não lemos. Coimas e prazo vêm do texto de 2005.
  • Se o pombo de cidade conta como ave selvagem para o artigo 11.º.
  • Regras ou campanhas oficiais de Lisboa, Aveiro e Setúbal sobre gaivotas e pombos. Só vimos notícias.
  • Se a proposta do plano da AMP, que deixaria os proprietários dos concelhos do estudo remover ninhos e ovos, passou a lei.
  • O calendário de reprodução de pombos, andorinhas e andorinhões em fonte oficial.
  • Orientação da DGS sobre limpeza de dejetos de aves. Usámos a do HSE britânico.
  • A eficácia de redes, espigões ou géis em estudo independente.

Fontes (lidas a 4 de novembro de 2026)

Perguntas e respostas

Continue a ler

Prefere receber propostas?

Deixe o nome, o telefone e a localidade. Gratuito e sem compromisso.

Gratuito. Sem compromisso.

Gratuito. Sem compromisso.

Enviar a ficha