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Calor no sótão e no telhado: porque o último andar aquece, o telhado fresco e o que funciona

Os números do calor segundo o IPMA, o que o cálculo oficial conta (cor, ventilação, isolamento), o que as provas dizem sobre tintas refletivas e barreiras radiantes, a segurança no calor e o que não conseguimos confirmar.

Tema
Isolamento
Leitura
8 min
Revisto
05/11/2026
Calor no sótão e no telhado: porque o último andar aquece, o telhado fresco e o que funciona

O último andar é o primeiro a sentir o verão: o sol aquece o telhado o dia todo e o calor guardado demora a sair. Este guia mostra os números do calor, o que o cálculo oficial da casa conta, o que as provas dizem sobre tintas refletivas e barreiras radiantes, e o que perguntar a um empreiteiro. O isolamento tem guia próprio.

Atualizado a 4 de novembro de 2026. Informação geral. Cada casa é diferente: só quem a vê pode dizer o que serve.

O essencial

  • O calor não é igual em todo o país. Segundo o IPMA, Évora tem em média 86,5 dias por ano com máxima de 30 °C ou mais; o Porto, 13,0.
  • 2026 bateu o recorde de ondas de calor: 9 até meados de outubro.
  • O cálculo oficial conta a cor do telhado, a ventilação do desvão e o isolamento.
  • Tintas refletivas e barreiras radiantes: a prova que lemos vem dos EUA e é fraca para Portugal.
  • Com calor, não suba ao telhado. A DGS manda evitar o sol entre as 11 e as 17 horas.

O calor em Portugal

Médias de 1991-2020 do IPMA (dias por ano):

Estação Máxima ≥ 30 °C Máxima ≥ 35 °C Mínima ≥ 20 °C (noites tropicais)
Porto / Pedras Rubras 13,0 1,7 4,9
Bragança 45,5 7,3 1,9
Lisboa / Gago Coutinho 36,3 6,9 16,8
Évora 86,5 31,9 4,2
Faro 35,5 3,1 44,7

Há onda de calor, diz o IPMA, quando durante pelo menos 6 dias seguidos a máxima diária supera em 5 °C a média das máximas desse mês (referência 1991-2020). Em 2026 houve 9 até meados de outubro, com 98 dias em onda de calor, o valor mais alto desde 1942; a mais longa durou 13 dias. O verão foi o 3.º mais quente desde 1931, e Mora chegou a 44,3 °C a 3 de julho. Para o IPMA, as ondas de calor aumentam desde o fim dos anos 1990.

Porque aquece o último andar

O laboratório LBNL mediu, numa tarde de verão, um telhado preto 30 °C mais quente do que um branco. Um telhado que reflete 35% do sol fica cerca de 12 °C mais fresco do que um que reflete 10%.

Segundo o laboratório ORNL (EUA), o teto dá cerca de 15 a 25% da carga de arrefecimento de uma casa. Num último andar, deve dar mais (leitura nossa, sem fonte).

O que o cálculo oficial conta

Nas casas aplica-se o REH; o RECS é para comércio e serviços. Ambos usam o Manual SCE (Despacho n.º 6476-H/2021). A zona de verão (V1, V2 ou V3) depende da temperatura média exterior na estação de arrefecimento: até 20 °C, de 20 a 22 °C, acima de 22 °C. Nas casas, o arrefecimento calcula-se com 25 °C no interior.

O Manual dá a absortância solar (parte do sol absorvida) pela cor:

Cor do revestimento exterior Absortância
Clara: branco, creme, amarelo, laranja, vermelho-claro 0,4
Média: vermelho-escuro, verde-claro, azul-claro, cinzento-claro 0,5
Escura: castanho, verde-escuro, azul-vivo, azul-escuro, cinzento-escuro 0,8

Num desvão de cobertura, o valor multiplica-se por um fator: 0,8 se o desvão for fortemente ventilado (mais de 1500 mm² de aberturas por m² de cobertura), 1,0 se for fracamente ventilado (500 a 1500) e 1 se não for ventilado. Com face de baixa emissividade (ε ≤ 0,20), os fatores são 0,7 e 0,9. Conta nossa: telha escura com desvão não ventilado conta 0,80; telha clara com desvão fortemente ventilado, 0,32. É uma convenção do certificado, não a medição do seu telhado.

A Portaria n.º 138-I/2021 não pede cor para telhados e exclui obras de conservação.

O que ajuda e o que não está provado

  • Isolamento e ventilação. A APICER e o CTCV dizem que os ganhos solares indesejáveis se reduzem com isolamento da cobertura ou ventilação natural da face inferior da telha. Esse ar também evita condensação.
  • Cor clara. A APICER diz que as telhas claras costumam refletir mais (veja as telhas por clima). O LBNL diz que o gasto extra no inverno é em geral pequeno face à poupança de verão, mas fala dos EUA: para Portugal não temos número.
  • Barreira radiante (folha refletora no desvão). Em sótãos americanos com isolamento R-19, o ORNL mediu menos 16 a 42% de calor pelo teto, mas diz que a fatura de arrefecimento desce 2 a 10%. Rende menos com muito isolamento, e o pó no chão do sótão pode tirar metade do efeito em 1 a 10 anos. Num teste em Tulsa, nem a barreira nem o isolamento deram poupança mensurável.
  • Tintas refletivas. A física é a do LBNL, mas não encontrámos medição independente da poupança em telhados portugueses. Em fibrocimento antigo, leia o guia do amianto antes de mexer.

Janelas de telhado, painéis e telhado verde

Janelas de telhado. A Portaria n.º 138-I/2021 limita o fator solar dos vãos (Tabela 8): nas casas, 0,56 (V1, V2) ou 0,50 (V3) com inércia média ou forte, e 0,15 (V1) ou 0,10 (V2, V3) se a divisão for leve. Ficam isentos os vãos a norte, os que ocupam até 5% do pavimento e as casas que cumpram o conforto térmico do artigo 6.º, n.º 9, do Decreto-Lei n.º 101-D/2020. Na nossa leitura, vale também para janelas de telhado nas obras abrangidas. A VELUX Portugal diz que toldos e estores exteriores travam o sol antes do vidro, sem números. A APICER lembra os tubos de luz. Veja o guia das janelas de telhado.

Painel sandwich e telhado verde. Na nossa leitura, a tabela das cores vale para a chapa: cor escura conta 0,8 (veja o guia do painel). Os benefícios de verão do telhado verde vêm de uma associação, sem estudo independente.

Saúde e segurança

A DGS manda fechar persianas ou portadas nas horas quentes, deixar o ar circular ao entardecer, evitar o forno, passar 2 a 3 horas por dia num sítio fresco e beber água sem esperar pela sede. São mais vulneráveis crianças, idosos, doentes crónicos e quem vive em más condições de habitação. Emergência: 112; conselhos: SNS 24 (808 24 24 24). Segundo a RTP, o INSA contou 680 mortes acima do esperado em três períodos de calor de 2026, a maioria com 75 ou mais anos.

A ACT diz que o calor aumenta a fadiga e o risco de acidentes e pede aclimatação. Num telhado há ainda a queda: veja os trabalhos em altura. Por bom senso, não regra oficial: peça obra de manhã cedo, com água e pausas, e adie o que não é urgente numa onda de calor.

O que perguntar ao empreiteiro

  1. Que cor e ficha técnica tem a telha ou chapa?
  2. Que isolamento, de que espessura e onde?
  3. Como fica a ventilação do desvão (beirado, cumeeira)?
  4. Mudar a cor precisa de autorização da câmara ou de licença? Veja a licença e a zona histórica.
  5. Há relatório de ensaio, com norma e clima, para os produtos «refletivos»?
  6. Que horários e pausas prevê para as horas quentes?
  7. Tudo por escrito: escolher o empreiteiro, garantia e custos.

Veja também: Sobre as camadas sob a telha e a ventilação, veja subtelha, manta e ventilação.

O que não conseguimos confirmar

  • Poupança em Portugal de tintas refletivas, telhas claras e barreiras radiantes: só lemos fontes dos EUA.
  • O artigo 6.º, n.º 9, do Decreto-Lei n.º 101-D/2020: não o lemos, nem o conforto exigido.
  • A zona de verão do seu concelho: o Manual remete para um anexo que não consultámos.
  • O relatório oficial de mortalidade de 2026: só lemos a notícia.
  • Se a câmara aceita mudar a cor do telhado: varia. Apoios para isolar: veja os apoios.

Fontes (lidas a 4 de novembro de 2026)

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