Beirado, beiral, laró, rincão, tacaniça, empena: quem fala com um empreiteiro ouve palavras que o orçamento e a conversa usam sem explicar. Este glossário junta os termos mais usados num telhado, com uma explicação simples de cada um. As definições seguem a terminologia do Guia para Projeto e Aplicação de Telhas Cerâmicas (APICER e CTCV, 2018), que avisa que os nomes mudam de região para região: por isso indicamos também os sinónimos.
Atualizado a 2 de novembro de 2026. As explicações são nossas, a partir das definições do guia. O próprio guia diz que a sua lista não pretende oficializar termos.
O essencial
- Água, vertente ou pendente é cada superfície plana inclinada do telhado.
- Cumeeira é o alto, onde duas águas se encontram. Beirado e beiral são a beira de baixo, que sai da parede.
- Rincão é a aresta saliente entre duas águas; laró é a reentrante, onde a água se junta e corre.
- Ripa (onde assentam as telhas) e vara (onde assenta a ripa) fazem a estrutura por baixo da telha.
- Terraço, para o guia, é a cobertura com inclinação igual ou inferior a 8% (cerca de 4,5°); acima disso é cobertura inclinada.
Formas do telhado
- Cobertura de uma água (telheiro): uma só vertente.
- Cobertura de duas águas: duas vertentes que se encontram na cumeeira.
- Cobertura de quatro águas: quatro vertentes, com uma cumeeira e quatro rincões.
- Pavilhão: forma da cobertura de quatro águas em que as vertentes só se encontram em quatro rincões que se juntam num ponto.
- Água mestra: a vertente principal, em geral um trapézio.
- Tacaniça: vertente secundária, em triângulo.
- Quebra de mansarda: aresta onde duas vertentes do mesmo lado mudam de inclinação, formando um ângulo saliente.
Linhas e partes
- Cumeeira (ou espigão, fileira): a linha de cima, onde duas águas opostas se encontram.
- Beirado: a beira de baixo, feita com peças acessórias (capa e bica).
- Beiral: a beira de baixo feita com a própria telha, a sair da parede.
- Cimalha: saliência exterior, por baixo da vertente, que coroa uma parede.
- Empena: a parede em triângulo que fecha um lado de um telhado de uma ou duas águas.
- Bordo lateral (ou de empena): a aresta que limita a vertente de lado.
- Rincão (ou guieiro): a aresta onde duas águas se encontram formando um ângulo saliente.
- Laró (ou guieiro morto): a aresta onde duas águas se encontram formando um ângulo reentrante. É por onde a água se junta e escoa.
- Remate de parede e remate de chaminé: a linha onde o telhado encontra uma parede mais alta ou uma chaminé.
- Clarabóia: abertura na água que deixa entrar luz, e por vezes ar.
- Trapeira: saliência no telhado com abertura para entrar ar e luz.
O que está por baixo da telha
- Estrutura principal: as peças resistentes que apoiam nas paredes e pilares.
- Estrutura secundária: as peças que ficam entre a estrutura principal e a telha.
- Vara ou barrote: peça no sentido do declive, que em geral apoia as ripas.
- Ripa ou ripado: as peças em madeira ou metal, atravessadas, onde se apoiam as telhas. O seu espaçamento depende do modelo de telha.
- Contra-ripa: peça no sentido do declive, por baixo das ripas, usada quando há um elemento contínuo por baixo.
- Madre ou terça: peça horizontal, atravessada ao declive, que apoia as varas e passa o peso à estrutura principal.
- Frechal: viga de madeira onde assentam as varas.
- Viga de cumeeira (ou pau de fileira): a peça horizontal que forma o cume da estrutura.
- Tábua de barbate: peça que, na beira, substitui a ripa para manter a inclinação da primeira fiada de telhas.
Telhas e acessórios
- Telha lusa e romana: telhas de aba e canudo.
- Telha marselha e plana: telhas planas com encaixe.
- Telha canudo: telha sem encaixe, ou de capa e canal.
- Telhão (ou cume, cruzeta): peça de remate da cumeeira.
- Remate de cume: nomeado também babadouro, tamanco, agueiro ou cunha, conforme a região.
- Cumeeira a seco ventilada: cumeeira feita com acessórios e fixações, sem argamassa, que deixa ventilar e protege da água.
- Subtelha: elemento ou filme impermeável por baixo da telha, que dá uma segunda proteção contra a água.
- Rufo: peça de estanquidade em pontos delicados, como paredes que sobem acima do telhado, chaminés e larós. O guia refere também «rufos ou caleiras», rígidos ou flexíveis, nos larós.
- Zona corrente: a parte normal da água, onde as telhas se encaixam e sobrepõem.
- Pontos singulares: os sítios onde o telhado muda de forma (cumeeira, rincões, larós, paredes, chaminés). Pedem mais cuidado e acessórios.
O que não encontrámos no guia
- Caleira ou algeroz no sentido de calha que recolhe a água da chuva na beira. O guia usa «caleira» para os rufos dos larós. Para a calha de recolha, não encontrámos definição no guia da APICER.
- Terminologia oficial. O próprio guia diz que não pretende oficializar os termos.
- Termos de outros materiais (ardósia, metal, painel sandwich). O guia trata a telha cerâmica.
Ver também
- Telhas cerâmicas: tipos e clima
- Infiltrações no telhado: causas, onde as cumeeiras e os remates são os primeiros sítios a ver
- Quanto custa mudar ou reparar um telhado
- Calculadora de área do telhado
Fontes (lidas a 2 de novembro de 2026)
- APICER e CTCV, Guia para Projeto e Aplicação de Telhas Cerâmicas, 2018, capítulo 2 (terminologia e definições), capítulo 3 (tipos de telha e acessórios) e capítulo 5 (ligações a elementos confinantes).
