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Telhados na Guarda: geada, telha cerâmica e apoio da Câmara

A Guarda tem 32 dias de geada por ano e 964 mm de chuva (IPMA). No centro histórico o PDM só aceita telha cerâmica ao trocar um telhado, e a Câmara tem um regulamento que apoia com 50% obras de conservação das coberturas.

Localidade
Guarda
Distrito
Guarda

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A Sé da Guarda e os telhados de telha cerâmica à volta
A Sé da Guarda e os telhados à voltaConcierge.2C, CC BY-SA 3.0, Wikimedia Commons

Os telhados da Guarda

A Guarda tem 19 643 edifícios nos Censos 2021, espalhados por 43 freguesias. Só 6 230 (31,7%) ficam na freguesia da Guarda, a cidade. No concelho, 22,8% dos edifícios são de antes de 1961 e 83,8% foram construídos até 2000. 4,8% precisam de reparação profunda, contra 4,6% no país, e 30,3% precisam de alguma reparação. Na freguesia da cidade só 11,9% são de antes de 1961, e no resto do concelho são 27,9%. As percentagens são nossas, calculadas com os números do INE.

Há por isso proporcionalmente mais edifícios antigos nas aldeias do que na cidade, que é sobretudo construção posterior a 1960. Valem regras diferentes, que explicamos abaixo: o PDM no centro histórico e nos núcleos antigos, e o regulamento municipal de edificação em todo o concelho.

O que não confirmámos: o número de telhados com amianto, o tipo de telha da maioria dos edifícios fora do centro e os danos em telhados em 2026. Também não confirmámos se a Câmara tem hoje candidaturas abertas ao seu apoio às coberturas.

FontesIPMA, normal Guarda (lida a 4 de novembro de 2026) · PDM da Guarda, 1.ª revisão, Aviso 30765/2025/2, Anexo V (cópia da CCDR Centro, lida a 4 de novembro de 2026) · Câmara da Guarda, Regulamento de Incentivos à Reabilitação de Edifícios nos Núcleos Históricos (Aviso 15766/2024/2) · Câmara da Guarda, Regulamento Municipal de Urbanização e Edificação (Regulamento 89/2018) · Câmara da Guarda, entrada em vigor do novo PDM (1 de julho de 2026) · SIPA, Edifício na Rua de D. Sancho I, n.º 9 a 13 (vista só num resultado de pesquisa) · SIPA, Casa na Rua de D. Sancho I, n.º 18 a 22 (vista só num resultado de pesquisa) · SIPA, Edifício na Rua Francisco dos Passos, n.º 15 a 19 (visto só num resultado de pesquisa) · Museu da Guarda, património classificado · RCM 15-B/2026 (CCDR Centro) · Despacho 2389-A/2026 (concelhos afetados) · Câmara da Guarda, apoio a prejuízos agrícolas da Kristin · INE, Censos 2021 (0011482) · Despacho n.º 6476-H/2021 (Manual SCE), secção 5.3 e Anexo II · Portaria n.º 138-I/2021, Anexo I, Tabela 1 (lida a 4 de novembro de 2026)

Os edifícios de Guarda

19 643 edifícios recenseados em 2021

  • 83,8% construídos até 2000 (país: 82,1%)
  • 22,8% construídos antes de 1961 (país: 23,1%)
  • 4,8% com necessidades de reparação profundas (país: 4,6%)
  1. Antes de 19194,7% (918)
  2. 1919-19459,0% (1772)
  3. 1946-19609,1% (1795)
  4. 1961-198026,9% (5276)
  5. 1981-199017,8% (3499)
  6. 1991-200016,3% (3205)
  7. 2001-20057,7% (1518)
  8. 2006-20105,8% (1134)
  9. 2011-20151,3% (246)
  10. 2016-20211,4% (280)

A marca vertical em cada barra é a percentagem do país.

Fonte: INE, Censos 2021, indicador 0011482, atualizado a 12/11/2022. Licença CC BY. Os números são de edifícios inteiros, não de telhados. Um edifício antigo pode ter a cobertura renovada, e um edifício recente pode ter problemas. A necessidade de reparação é do edifício todo, avaliada nos Censos.

Chuva, vento e sol em Guarda

A Guarda tem estação própria nas normais do IPMA 1991-2020 (n.º 683, altitude 1 001 m; a ficha diz «série híbrida»). Chovem em média 964,3 mm por ano, com o máximo em outubro (149,5 mm) e o mínimo em agosto (11,2 mm), e a temperatura média é 11,6 °C. Há 83,7 dias por ano com 1 mm de chuva ou mais, 31,5 com 10 mm ou mais e 6,9 com 30 mm ou mais. A maior chuvada diária foi 141,9 mm, a 25 de outubro de 2006.

O frio pesa mais do que a chuva: 31,9 dias por ano com mínima abaixo de 0 °C (8,6 em janeiro, 8,3 em fevereiro e 6,4 em dezembro) e uma mínima de -10,3 °C a 1 de março de 2005. A 4 de fevereiro de 1994 a máxima do dia foi só -2,8 °C, ou seja, o dia inteiro abaixo de zero. A ficha não conta dias de neve, por isso não damos esse número. O verão também aquece: 19,1 dias com 30 °C ou mais e uma máxima de 38,3 °C a 30 de julho de 1998. Para a telha, o problema é a água que entra, gela e volta a degelar muitas noites por inverno.

Zona climática do SCE. Para a região Beira Interior Norte, à altitude de referência de 717 m, o Manual SCE dá 1 924 graus-dias de aquecimento e 21,7 °C de média de junho a setembro: zona de inverno I3 e de verão V2. A zona muda com a altitude do edifício: I1 até 93 m, I2 de 94 a 593 m, I3 acima de 593 m no inverno. O limite do coeficiente de transmissão térmica dos elementos horizontais da envolvente opaca, em obra nova ou elemento renovado, é 0,30 W/(m²·°C) na zona I3; as obras de conservação ficam de fora. A Portaria não diz se um telhado inclinado conta como elemento horizontal: pergunte ao perito do SCE. Pela fórmula do Manual (Equação 2), um edifício à altitude da estação do IPMA daria cerca de 2 208 graus-dias e 20,3 °C no verão, ou seja, I3 e V2; é um cálculo nosso. Veja os apoios ao isolamento do telhado.

Casas e coberturas em Guarda

  • Centro histórico

    No centro histórico, três fichas do SIPA descrevem casas dos séculos XVI e XVII (Rua de D. Sancho I, n.º 9 a 13 e 18 a 22; Rua Francisco dos Passos, n.º 15 a 19). Têm cobertura a duas águas, telha de canudo ou de meia-cana e paredes de granito ou de alvenaria rebocada. Vimo-las só em resultados de pesquisa, porque o site do SIPA não abria a 4 de novembro de 2026.

  • Casas tradicionais

    Fora da cidade, o regulamento de apoios da Câmara trata como núcleos históricos as zonas antigas da Póvoa do Mileu, da Sequeira, de Alfarazes e de Galegos e as áreas consolidadas das outras povoações. Na Capela de Nossa Senhora do Mileu, o Museu da Guarda descreve uma cobertura sobre estrutura de madeira, com o beiral apoiado em cachorrada contínua. Não encontrámos fonte oficial sobre o tipo de telha das casas de aldeia.

  • Moradias

    O maior grupo do concelho são os 5 276 edifícios de 1961 a 1980, ou 26,9% do total, hoje com 46 a 65 anos. Não encontrámos fonte oficial sobre o tipo de cobertura destes prédios e moradias e por isso não dizemos qual é. A idade já é razão para ver as caleiras, os rufos e a madeira do beiral.

Regras e licenças em Guarda

A 1.ª revisão do PDM da Guarda (Aviso 30765/2025/2, aprovada a 3 de setembro de 2025) tem um Anexo V: Regulamento do Centro Histórico da Cidade da Guarda, dos Núcleos Antigos dos Aglomerados Urbanos e Rurais e do Núcleo Antigo da Póvoa do Mileu. O artigo 5.º diz que a substituição de telhados pode manter a forma e o volume do telhado original e que a telha só pode ser trocada por telha cerâmica, rematada por telha de beiral. Estão proibidas as coberturas em fibrocimento, chapa zincada, telha plana ou telha de cimento colorida. O artigo 7.º proíbe telha de betão ou fibrocimento em construções de raiz nessas zonas, e o artigo 6.º diz que a Câmara pode exigir a manutenção integral do aspeto exterior, telhados incluídos.

O aviso diz que o plano entra em vigor no dia seguinte à publicação da delimitação da REN, e a Câmara anunciou a entrada em vigor a 1 de julho de 2026. Não lemos as plantas: para saber se o seu prédio está dentro destas áreas, peça à Câmara a planta de localização.

Ver a fonte (ccdrc.pt)

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O apoio da Câmara às coberturas dos núcleos históricos

O Regulamento de Incentivos à Reabilitação de Edifícios nos Núcleos Históricos (Aviso 15766/2024/2, Diário da República de 30 de julho de 2024) dá apoio técnico ou financeiro a obras de conservação de fachadas, coberturas e vãos. O edifício tem de estar num núcleo histórico, ser de arquitetura tradicional com as características originais preservadas e ter pelo menos 30 anos. Alteração, ampliação e reconstrução ficam de fora.

O apoio financeiro é 50% do orçamento, sem IVA, e é majorado em 20% quando a obra melhora a eficiência energética. Para o orçamento, o regulamento fixa valores de referência: 45 €/m² para coberturas, 25 €/m² para fachadas e 450 €/m² para vãos. Não confirmámos se são um teto. A candidatura entra pelo menos 30 dias antes das obras, e a Câmara define a verba todos os anos. Não encontrámos aviso de candidaturas aberto em 2026: pergunte na Câmara antes de começar.

Obras de telhado sem licença na Guarda

O Regulamento Municipal de Urbanização e Edificação (Regulamento 89/2018, Diário da República de 2 de fevereiro de 2018) tem, no artigo 7.º, n.º 2, duas alíneas para telhados. A alínea u) trata como obra de escassa relevância urbanística a troca do revestimento de coberturas inclinadas por telha cerâmica à cor natural. A alínea w) faz o mesmo com a reparação de coberturas inclinadas com vigota e ripa de betão, perfis metálicos ou peças de madeira, desde que os vãos não aumentem e a volumetria, a forma e a altura não mudem. Estas obras estão isentas de controlo prévio (artigo 6.º), mas é preciso avisar a Câmara até cinco dias antes do início.

A isenção vale sem prejuízo de legislação especial, planos e servidões: no centro histórico, o Anexo V do PDM continua a mandar. Se a obra ocupar o espaço público, o artigo 64.º obriga a tapume, e o artigo 66.º obriga a pala de proteção em edifícios com dois ou mais pisos. A alínea v) deixa trocar o revestimento de edifícios agrícolas, pecuários ou florestais por painéis sandwich de cor RAL 8004, fora das áreas urbanas e urbanizáveis e dos aglomerados rurais. Não confirmámos se o texto de 2018 foi alterado.

A Guarda e a tempestade Kristin

A Guarda não consta dos concelhos em calamidade da RCM 15-B/2026 (n.º 2) nem dos 22 concelhos adicionais do Despacho 2389-A/2026, que lemos. O despacho diz que a declaração foi depois alargada pelas RCM 15-C/2026 e 24-A/2026, que não lemos. A Câmara abriu um apoio extraordinário a prejuízos agrícolas causados entre 28 de janeiro e 15 de fevereiro de 2026, que inclui armazéns, com candidaturas até 16 de junho. Não encontrámos fonte oficial sobre telhados de casas danificados na Guarda.

Notas gerais

Não. O Anexo V do PDM (artigo 5.º) só admite telha cerâmica, rematada por telha de beiral, ao substituir um telhado, e proíbe fibrocimento, chapa zincada, telha plana e telha de cimento colorida. Aplica-se ao centro histórico, aos núcleos antigos das povoações e à Póvoa do Mileu. Peça à Câmara a planta de localização para saber se o seu prédio está dentro da zona.

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