# Sismos e telhados em Portugal: chaminés, telhas, o que fazer e a lei das obras

> O que acontece ao telhado num sismo, os prédios antigos mais frágeis, o que fazer antes, durante e depois segundo a Proteção Civil, quando uma obra pede relatório sísmico e o que não conseguimos confirmar.

- Page: https://telhadoseguro.pt/guias/sismo-telhado-casa-seguranca
- Language: European Portuguese (pt-PT)
- Updated: 2026-11-04

## Summary

- Ninguém prevê sismos (IPMA). Chaminés, platibandas e telhas soltas estão no topo e caem com facilidade; a maioria dos acidentes vem do que cai.
- Durante o abalo: baixar, proteger, aguardar (ANEPC). Depois: não suba ao telhado, corte água e gás, saia se houver danos graves e ligue 112 em emergência.
- Uma cobertura mais leve, sozinha, não torna um edifício seguro. As ligações, as paredes e a madeira também contam: só um engenheiro avalia o seu prédio.
- Obras de alteração, ampliação ou reconstrução podem exigir relatório de vulnerabilidade sísmica e projeto de reforço (Portaria n.º 302/2019). Não encontrámos apoio nacional ao reforço.

Num sismo, telhas, chaminés e platibandas estão entre as primeiras coisas a cair. Este guia explica o que acontece à cobertura, o que fazer antes e logo a seguir, e o que a lei pede quando faz obras.

*Atualizado a 4 de novembro de 2026. Informação geral. Não é uma avaliação estrutural e não garante a segurança de nenhum edifício: isso só um engenheiro civil pode avaliar, prédio a prédio.*

## O essencial

- **Ninguém prevê sismos.** O IPMA diz que a previsão a curto prazo ainda não existe. Prepare-se antes.
- **O topo da casa é o ponto fraco.** O IPMA refere a queda de chaminés, varandas e tetos, e diz que a maioria dos acidentes vem do que cai.
- **Durante: baixar, proteger, aguardar.** São os três gestos da Proteção Civil (ANEPC).
- **Depois: não suba ao telhado.** Saia se a casa tiver danos graves e só volte quando as autoridades o aconselharem. Emergências: 112.
- **Algumas obras no telhado pedem relatório sísmico** (Portaria n.º 302/2019).

## O risco em Portugal

O IPMA descreve o continente como uma zona de sismicidade intermédia. A brochura da ANEPC e da Associação Portuguesa de Seguradores (2018) diz que Lisboa e o Algarve estão entre as regiões mais propensas a sismos.

As estruturas projetam-se com o Eurocódigo 8 (NP EN 1998-1:2010) e o seu Anexo Nacional. Segundo o estudo do LNEC que preparou o anexo, há dois cenários: **tipo 1**, sismos com epicentro sobretudo no mar, e **tipo 2**, sobretudo em terra. Cada concelho ficou numa zona. A zona do seu concelho é dada pelo engenheiro do projeto.

## O que acontece a um telhado num sismo

Uma tese da Faculdade de Engenharia do Porto (FEUP, 2020) estudou chaminés, platibandas e guarda-corpos no topo de casas antigas de pedra e diz que podem ser muito vulneráveis. Lista o que decide se uma fachada antiga cai para fora: as ligações entre paredes, as ligações das paredes aos pisos e à cobertura, os tirantes ou vigas de coroamento e a qualidade da alvenaria. Lembra que a cobertura pode empurrar as paredes e que o seu peso gera forças no sismo.

A tabela junta as fontes e as nossas sugestões práticas:

| Elemento | Porque preocupa | O que fazer |
|---|---|---|
| Chaminé | Alta e estreita. O IPMA refere chaminés que desabam e incêndios com origem nelas | Avaliação por engenheiro; o remate vê-se no guia de [chaminés e rufos](https://telhadoseguro.pt/guias/chamines-rufos-remates-telhado) |
| Platibanda | Muro no topo da fachada, pode cair para a rua | Avaliação por engenheiro |
| Telhas soltas | Podem cair com o abanão | Substituir na manutenção normal |
| Ligação cobertura-paredes | Se for fraca, não trabalham juntas | Só um engenheiro projeta o reforço |
| Cobertura pesada em paredes fracas | Mais massa no topo | Não mudar sem avaliação estrutural |

**Prédios antigos.** O LNEC diz que os **«gaioleiros»** (de meados do século XIX ao início do século XX) têm elevada vulnerabilidade sísmica, por usarem materiais fracos e técnicas deficientes. Nos seus ensaios, reforçar as ligações das paredes aos pisos e pôr tirantes entre paredes opostas ajudou sobretudo a controlar o colapso das paredes para fora. Os **pombalinos** foram pensados depois de 1755 para resistir melhor, mas um estudo do IST e do LNEC diz que a maioria precisa hoje de reforço, também por causa de obras antigas que prejudicaram a sua resistência sísmica.

**Uma cobertura mais leve não chega.** Na nossa leitura das fontes, o peso é só um fator: as ligações, as paredes e a madeira também contam. Uma cobertura leve, sozinha, não torna um edifício seguro, e mudar o peso pode alterar o comportamento da estrutura. Antes de um [painel sandwich](https://telhadoseguro.pt/guias/telhado-painel-sandwich), fale com um engenheiro.

## Antes: o que pode fazer

- **Olhe do chão**, com binóculos: telhas fora do sítio, chaminé inclinada ou com fendas. Não suba (veja [trabalhos em altura](https://telhadoseguro.pt/guias/trabalhos-em-altura-telhado)).
- **Peça uma avaliação** a um engenheiro civil se a casa é antiga, de alvenaria, tem chaminé alta ou platibanda sobre a rua, ou se houve obras que tiraram paredes.
- **Siga a ANEPC:** fixe estantes e móveis pesados às paredes, ponha os objetos pesados em baixo, prepare um kit de emergência e ensine todos a cortar a água, o gás e a eletricidade.
- **Veja o seguro.** A ANEPC pede que confirme se a apólice cobre sismo; em 2018, a brochura estimava que só 15% das casas tinham essa cobertura. O Governo anunciou em abril de 2026 um seguro obrigatório para habitações, mas não encontrámos a lei publicada. Veja o guia do [seguro da casa](https://telhadoseguro.pt/guias/seguro-casa-tempestade-telhado).

## Durante o sismo

Baixe-se, proteja a cabeça e o pescoço e aguarde que a terra pare. Dentro de casa, abrigue-se junto a uma viga ou pilar, num canto ou debaixo de uma mesa robusta, longe de janelas. Não corra para as escadas nem use o elevador. Na rua, afaste-se de edifícios degradados, muros, chaminés e varandas (ANEPC).

## Depois do sismo

Da ANEPC: conte com **réplicas** e, perto do mar, com **tsunami** (vá para um sítio alto e aberto). **Corte a água e o gás e desligue a eletricidade**, e não acenda fósforos. **Saia de casa** se houver danos graves ou perigo de derrocada. Para feridos graves, fugas de gás ou incêndios, **ligue 112**.

O que acrescentamos, como bom senso e não como regra oficial:

1. **Não suba ao telhado nem ao sótão** se vir fendas novas ou ouvir estalos. As réplicas soltam o que ficou preso.
2. **Veja de longe:** chaminé torta, cumeeira fora do sítio, empena com fendas, telhas no chão.
3. **Dentro**, procure fendas novas em paredes e tetos, sobretudo em diagonal ou junto aos cantos, e portas que deixaram de fechar. Fotografe tudo (veja as [primeiras 48 horas](https://telhadoseguro.pt/guias/telhado-danificado-primeiras-48-horas)).
4. **Chame um engenheiro civil** se vir estes sinais. Se há perigo para a rua ou para vizinhos, avise a câmara: o RJUE deixa-a mandar fazer obras de segurança ou demolir o que ameace ruína, a pedido de qualquer interessado (artigo 89.º), e dispensar formalidades se houver risco iminente de desmoronamento (artigo 90.º, n.º 8).

## A lei quando mexe no telhado

Reparar como estava é obra de conservação (veja a [licença de obras no telhado](https://telhadoseguro.pt/guias/licenca-obras-telhado-2026)). As regras sísmicas entram nas obras de **alteração, ampliação ou reconstrução**, seja qual for a idade do prédio (Decreto-Lei n.º 95/2019).

A **Portaria n.º 302/2019**, em vigor desde 15 de novembro de 2019, exige um relatório de avaliação de vulnerabilidade sísmica quando há:

- sinais evidentes de degradação da estrutura;
- alteração do comportamento estrutural do edifício;
- área intervencionada acima de 25% da área bruta de construção;
- custo acima de 25% do de uma construção nova equivalente.

Em escolas, hospitais e outros edifícios das classes de importância III ou IV, os limites descem para 15%. Se o edifício não cumprir 90% da ação sísmica da NP EN 1998-3:2017, é obrigatório um **projeto de reforço sísmico**. Segundo a Câmara de Amarante, o relatório é feito por técnico habilitado em engenharia civil.

O decreto-lei revogou, para edifícios, o Regulamento de Segurança e Ações (RSA, de 1983) e o regulamento contra os sismos de 1958. O Despacho Normativo n.º 21/2019 pôs os Eurocódigos nos projetos de estruturas de edifícios, com três anos de transição.

Na nossa leitura, trocar uma cobertura pesada por uma leve, ou a madeira por betão, pode «alterar o comportamento estrutural». Pergunte ao engenheiro e à câmara, por escrito, antes de contratar.

## Apoios

Não encontrámos apoio nacional ao reforço sísmico de casas particulares; o fundo anunciado em 2026 trata de seguros. Em Lisboa, segundo a Lusa (junho de 2025), o programa ReSist devia lançar em 2026 um **apoio técnico** a edifícios privados, que não confirmámos.

## O que não conseguimos confirmar

- **A zona sísmica de cada concelho:** lemos o estudo do LNEC (2008), não a norma, que é vendida pelo IPQ.
- **A numeração do artigo sísmico** do Decreto-Lei n.º 95/2019: a portaria fala no 7.º, a versão consolidada que lemos mostra o 8.º. O Diário da República não respondeu a 4 de novembro de 2026.
- **Alterações de 2026** ao decreto-lei e à portaria, depois da revisão do RJUE.
- **Se trocar a cobertura conta como alteração estrutural:** não lemos interpretação oficial.
- **O apoio técnico do ReSist e a lei do seguro obrigatório.**
- **Um guia oficial para fixar chaminés e platibandas.** Também não lemos a campanha «Aprender a prevenir» nem o Plano Nacional de Emergência.

## Fontes (lidas a 4 de novembro de 2026)

- ANEPC e Associação Portuguesa de Seguradores, [Sismos: prepare-se e proteja-se](https://prociv.gov.pt/media/ovjbpe1c/sismos-prepare-se-e-proteja-se.pdf), novembro de 2018.
- ANEPC, [A Terra Treme](https://www.aterratreme.pt) (os três gestos).
- IPMA, [O que fazer em caso de sismo](https://www.ipma.pt/pt/enciclopedia/geofisica/caso.sismo/index.html) e [Perguntas frequentes de sismologia](https://www.ipma.pt/pt/educativa/faq/geofisica/sismologia/index.html).
- A. Campos Costa, M. L. Sousa e A. Carvalho (LNEC), [Seismic zonation for Portuguese National Annex of Eurocode 8](https://iitk.ac.in/nicee/wcee/article/14_07-0167.PDF), 2008.
- P. Candeias e outros (LNEC), [Avaliação da vulnerabilidade sísmica de edifícios de alvenaria](https://repositorio.lnec.pt/bitstream/123456789/1008622/2/T2_CANDEIAS_r125.pdf) (sem data visível).
- A. Gonçalves e outros (IST e LNEC), [Comportamento dinâmico de paredes de frontal pombalinas reforçadas](https://repositorio.lnec.pt/bitstream/123456789/1008611/2/JPEE201.pdf), 5.as Jornadas Portuguesas de Engenharia de Estruturas.
- J. Sampaio, [Análise do comportamento sísmico de elementos não estruturais de alvenaria](https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/128612/2/412786.pdf), FEUP, julho de 2020.
- Decreto-Lei n.º 95/2019, de 18 de julho, [versão consolidada da Câmara de Almodôvar](https://cm-almodovar.pt/wp-content/uploads/2020/01/dl95_2019_Vset2019.pdf), setembro de 2019.
- Portaria n.º 302/2019, de 12 de setembro, [cópia do Diário da República](https://www.dec.fct.unl.pt/sites/www.dec.fct.unl.pt/files/documentos/portaria_302_2019.pdf).
- Despacho Normativo n.º 21/2019, de 17 de setembro, [cópia do Diário da República](https://www.dec.fct.unl.pt/sites/www.dec.fct.unl.pt/files/documentos/despacho_normativo_21_2019.pdf).
- Câmara Municipal de Amarante, [Relatório de avaliação de vulnerabilidade sísmica: como atuar](https://www.cm-amarante.pt/wp-content/uploads/2025/01/Relatorio-de-avaliacao-de-vulnerabilidade-sismica-bem-como-as-situacoes-em-que-e-exigivel-a-elaboracao-de-projeto-de-reforco-sismico-%E2%80%93-Como-atuar.pdf), janeiro de 2025.
- Decreto-Lei n.º 555/99 (RJUE), artigos 89.º e 90.º, [versão consolidada da PGDL](https://www.pgdlisboa.pt/leis/lei_mostra_articulado.php?nid=625&tabela=leis).
- Governo, [PTRR cria fundo de catástrofes e avança com seguros obrigatórios](https://portugal.gov.pt/pt/gc25/comunicacao/noticias/ptrr-cria-fundo-de-catastrofes-e-avanca-com-seguros-obrigatorios), 28 de abril de 2026.
- Referência não oficial: ECO Seguros/Lusa, [Câmara de Lisboa avaliou a vulnerabilidade sísmica de 1.593 edifícios](https://eco.sapo.pt/2025/06/17/camara-de-lisboa-avaliou-a-vulnerabilidade-sismica-de-1-593-edificios), 17 de junho de 2025.

## FAQ

### O que deve fazer durante um sismo se estiver em casa?

A ANEPC manda fazer três gestos: baixar-se, proteger a cabeça e o pescoço e aguardar até a terra parar. Abrigue-se junto a uma viga ou pilar, num canto ou debaixo de uma mesa robusta, longe de janelas. Não corra para as escadas nem use o elevador.

### Depois de um sismo, posso subir ao telhado para ver os estragos?

Não é boa ideia. A ANEPC lembra que pode haver réplicas e manda sair de casa se houver danos graves ou perigo de derrocada. Veja de longe e chame um engenheiro civil se vir fendas novas, chaminé torta ou telhas no chão. Em emergência, ligue 112.

### Trocar o telhado por um mais leve torna a casa resistente a sismos?

Não por si só. O peso conta, mas as ligações entre paredes e cobertura, os tirantes e o estado das paredes também. Mudar o peso pode alterar o comportamento estrutural, o que pela Portaria n.º 302/2019 pode exigir relatório de vulnerabilidade sísmica. Fale com um engenheiro antes.

### Quando é que uma obra precisa de relatório de vulnerabilidade sísmica?

Pela Portaria n.º 302/2019, nas obras de alteração, ampliação ou reconstrução com sinais evidentes de degradação da estrutura, alteração do comportamento estrutural, área intervencionada acima de 25% ou custo acima de 25% do de construção nova equivalente. Reparar como estava é obra de conservação.

### Há apoios para reforço sísmico da casa?

Não encontrámos um programa nacional. O fundo anunciado pelo Governo em abril de 2026 trata de seguros de catástrofe. Em Lisboa, segundo a Lusa (junho de 2025), o programa ReSist devia lançar em 2026 apoio técnico a edifícios privados, o que não confirmámos.

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