# Estrutura do telhado: madeira, betão ou aço, sinais de alerta, cargas e quem pode assinar

> Como reconhecer a estrutura que está debaixo das telhas, os sinais de alerta, as cargas de neve e vento da norma, quando trocar a cobertura pede um engenheiro, quem pode assinar o projeto e o que não conseguimos confirmar.

- Page: https://telhadoseguro.pt/guias/estrutura-do-telhado-madeira-betao-metalica
- Language: European Portuguese (pt-PT)
- Updated: 2026-11-05

## Summary

- Há três famílias de estrutura: madeira (a tradicional), laje de betão armado e aço. Pode reconhecê-las do sótão, mas só um engenheiro avalia o estado (APICER e CTCV).
- Telhado com barriga, fendas no topo das paredes, ferrugem ou betão a soltar-se são sinais de alerta. A APICER aconselha sempre avaliação estrutural perante deformação.
- Mudar o peso, a distribuição das cargas ou os apoios pede projeto e verificação da estrutura que está por baixo. Trocar telha por painel leve entra aqui, na nossa leitura.
- Projetos de estruturas de edifícios: engenheiros civis ou engenheiros técnicos civis com inscrição válida (Lei n.º 31/2009, alterada pela Lei n.º 40/2015). Peça termo de responsabilidade e seguro.

Debaixo das telhas há uma estrutura que aguenta o peso do telhado, a neve e o vento. Quase ninguém a vê, mas ela decide se a obra pede um engenheiro. Este guia mostra os três tipos, os sinais de alerta, as cargas da norma e quem pode assinar o projeto.

*Atualizado a 4 de novembro de 2026. Informação geral. Não é uma avaliação estrutural: só um engenheiro, no local, pode dizer se a estrutura está segura.*

## O essencial

- **Há três famílias de estrutura:** madeira (a tradicional), laje de betão armado e aço (APICER e CTCV, 2018).
- **Telhado com barriga é sinal de alerta.** Pode ser só uma ripa torta ou rotura estrutural e empurrão sobre as fachadas.
- **Mudar o peso, a distribuição das cargas ou os apoios pede projeto** e verificação da estrutura que está por baixo (APICER e CTCV).
- **A neve e o vento dependem do local.** Quem calcula é o engenheiro.
- **Os projetos de estruturas de edifícios são de engenheiros civis ou engenheiros técnicos civis** com inscrição válida (Lei n.º 31/2009, alterada pela Lei n.º 40/2015).

## Os três tipos e como se reconhecem

- **Madeira:** asnas, madres, varas e ripas. Em vãos pequenos pode faltar a asna: fica uma viga de cumeeira e as varas.
- **Laje de betão:** uma superfície contínua e inclinada, que segue a água do telhado.
- **Aço:** perfis de aço, por vezes em «light steel frame».

A APICER e o CTCV descrevem o telhado tradicional como uma estrutura de madeira em camadas, cada vez menos resistentes e mais juntas perto das telhas. Os nomes estão no [glossário do telhado](https://telhadoseguro.pt/guias/glossario-telhado). Na laje, a telha também assenta em ripa. O aço segue muitas vezes o modelo da madeira.

A forma de distinguir é nossa: madeira à vista é madeira; betão liso a seguir a pendente é laje; perfil dobrado e parafusado é aço.

## Madeira: os sinais da estrutura

Pragas e podridão têm o seu guia: [madeira, caruncho e térmitas](https://telhadoseguro.pt/guias/madeira-telhado-caruncho-termitas).

- **Deformação.** A APICER e o CTCV ligam o telhado deformado a rotura estrutural, a empurrão horizontal sobre as fachadas e a telhas deslocadas. Pode vir só da ripa ou das varas, mas aconselham sempre avaliação estrutural.
- **Empurrão nas paredes.** Um frechal bem travado reduz os impulsos horizontais. Fendas no topo das paredes ou uma parede a inclinar são sinais por dedução nossa: chame um engenheiro.
- **Ligações.** A ligação da perna à linha da asna tem de passar a força vertical e a horizontal e não pode ficar muito perto da ponta da linha, sob pena de rotura por corte. Reforços de metal nos nós só valem se forem calculados, tal como as escoras provisórias.
- **Como cai a estrutura principal:** sobretudo por incêndio, podridão de infiltrações graves ou colapso do que está por baixo.

## Laje de betão: o que olhar

O LNEC diz que, no betão armado, a corrosão das armaduras é o mecanismo de degradação mais frequente, muitas vezes ligado a recobrimentos reduzidos. Vem da carbonatação do betão ou de cloretos. A ferrugem ocupa mais volume do que o aço e causa fissuração e depois destacamento do betão.

Vista de baixo, a nossa leitura é: manchas castanhas, betão a soltar-se, varões à vista e fendas ao longo deles. Manchas de humidade pedem a causa da infiltração. A APICER prefere o isolamento na face exterior da laje inclinada (veja a [condensação no desvão](https://telhadoseguro.pt/guias/condensacao-sotao-desvao-telhado)).

## Aço: o que olhar

O LNEC põe a corrosão como a principal forma de degradação dos metais. O aço comum costuma levar zinco, zinco e alumínio ou tinta, e a corrosão depende da humidade e de agentes como cloretos e dióxido de enxofre. Procure ferrugem e tinta a descascar.

Nos painéis, a Kingspan (09/2024) diz que a subestrutura não vem no fornecimento: os apoios têm de cumprir o painel, e o projetista ou o fornecedor avalia o seu comportamento estrutural e ao fogo. A Paroc (03/2022) pede que, antes de montar, se confirme que a estrutura está pronta, com apoios largos e tolerâncias aceitáveis, e que a espessura do aço serve aos parafusos. Veja o guia do [painel sandwich](https://telhadoseguro.pt/guias/telhado-painel-sandwich).

## Que cargas conta o engenheiro

Os valores vêm de apontamentos do IST (2011) sobre a NP EN 1991 e os anexos nacionais. Não lemos as normas.

- **Cobertura só acessível para manutenção (categoria H):** 0,4 kN/m² na projeção horizontal e uma carga pontual de 1,0 kN, que não se somam à neve nem ao vento.
- **Neve.** Três zonas, Z1, Z2 e Z3. A carga no solo é sk = Cz [1 + (H/500)²] kN/m², com H a altitude em metros e Cz igual a 0,30 (Z1), 0,20 (Z2) e 0,10 (Z3), para um período de retorno de 50 anos. Na cobertura multiplica-se por coeficientes de forma, de exposição (0,8 a 1,2) e térmico.
- **Vento.** Zona A (quase todo o país): velocidade de referência de 27 m/s. Zona B (Açores, Madeira, faixa costeira de 5 km e continente acima de 600 m): 30 m/s. Também para 50 anos.

A zona do seu concelho vem no mapa do anexo nacional, que não vimos.

## Mudar a cobertura: quando pede engenheiro

A APICER e o CTCV dizem que uma estrutura nova deve ser compatível com a do edifício no peso, na distribuição das cargas e nos apoios. Qualquer alteração significativa nestes pontos exige projeto integral e verificação do impacte na estrutura que está por baixo.

Na nossa leitura, trocar telha por painel leve (ou o contrário) muda o peso e as fixações: é caso para engenheiro. Um telhado mais leve não é, só por isso, mais seguro: veja [sismos e telhados](https://telhadoseguro.pt/guias/sismo-telhado-casa-seguranca). Veja a [licença de obras](https://telhadoseguro.pt/guias/licenca-obras-telhado-2026) e o peso das telhas em [telhas e clima](https://telhadoseguro.pt/guias/telhas-tipos-e-clima).

## Quem pode assinar

A Lei n.º 31/2009, na redação da Lei n.º 40/2015 (em vigor desde 6 de junho de 2015), diz:

- Os projetos de engenharia são de engenheiros ou engenheiros técnicos reconhecidos pela Ordem dos Engenheiros e pela Ordem dos Engenheiros Técnicos (artigo 10.º, n.º 3).
- No anexo III, o quadro 2 indica para «fundações e estruturas de edifícios» engenheiros civis e engenheiros técnicos civis.
- Em obras mais complexas, a lei pede título de especialista ou anos de experiência. A categoria II inclui estruturas de edifícios com menos de 15 m de altura, da fundação à cobertura, e estruturas com vãos até 8 m.
- O autor assina um termo de responsabilidade (artigo 21.º) e quem projeta ou dirige a obra tem de ter seguro de responsabilidade civil (artigo 24.º).

Um empreiteiro ou telhador não está nessa lista. Peça o número de inscrição e confirme-o na Ordem (conselho nosso).

## O que pedir ao engenheiro

1. O tipo de estrutura e o seu estado, com fotografias.
2. A inscrição na Ordem, o termo de responsabilidade e o seguro.
3. As cargas usadas: altitude, zona de neve e de vento.
4. O peso do revestimento novo e do antigo.
5. As ligações, os apoios e o escoramento calculado.
6. Em aço: a proteção contra a corrosão.
7. Tudo por escrito. Veja como [escolher o empreiteiro](https://telhadoseguro.pt/guias/escolher-empreiteiro-telhado).

**Veja também:** Sobre neve, granizo e gelo, veja [neve, granizo e gelo no telhado](https://telhadoseguro.pt/guias/neve-granizo-gelo-telhado).

## O que não conseguimos confirmar

- **Os textos das normas** NP EN 1991-1-3 e 1-4 e dos anexos nacionais, vendidos pelo IPQ. Não vimos o mapa de zonas, a zona de cada concelho, nem versões novas desde 2011.
- **A categoria (I a IV, Portaria n.º 701-H/2008)** do projeto de um telhado de moradia: não lemos a portaria.
- **O texto atual da Lei n.º 31/2009.** Lemos a versão de 14 de junho de 2018 e a Lei n.º 40/2015 em cópia; o Diário da República não foi consultado. A Lei n.º 3/2026 só pela nota da OET, que fala do artigo 5.º.
- **Um limite oficial de deformação aceitável.**
- **A parte dos prédios por tipo de estrutura** nos Censos 2021.
- **Os sinais visíveis** de laje e de aço: são dedução nossa.

## Fontes (lidas a 4 de novembro de 2026)

- APICER e CTCV, [Guia para Projeto e Aplicação de Telhas Cerâmicas](https://www.apicer.pt/apicer/media/5c06bd0e8d436.pdf), 2018.
- P. Mendes (IST), [Quantificação de ações em edifícios de acordo com o Eurocódigo 1](https://scholar.tecnico.ulisboa.pt/api/records/bc5785d2-2528-4353-99f6-7492e4a5a323/file/225e03ae3e5f90fffd2ae74de2518b53464789cc574583ce07f7440f4ff88eaa.pdf), abril de 2011.
- Lei n.º 40/2015, de 1 de junho, [cópia do Diário da República](https://www.aiccopn.pt/wp-content/uploads/2021/11/0337303441.pdf). Lei n.º 31/2009, [versão consolidada de 2018](https://www.madeira.gov.pt//Portals/19/Documentos/Legislacao/Lei_31.2009_Consolidada_Qualifica%C3%A7%C3%A3o_Profissional.pdf).
- Ordem dos Engenheiros Técnicos, [nota sobre a Lei n.º 3/2026](https://www.oet.pt/downloads/informacao/Lei_03_2026.pdf), 6 de janeiro de 2026.
- LNEC, [Durabilidade dos materiais de construção](https://repositorio.lnec.pt/bitstream/123456789/1001377/1/Durabilidade%20Mat.pdf) (sem data visível).
- Kingspan, [KS1000 RW, guia de projeto e instalação](https://a.storyblok.com/f/293586193989128/9490782/4679284e24/kingspan-rw-roof-design-and-installation-guide-nordics-en.pdf), 09/2024. Paroc, [guia de instalação](https://a.storyblok.com/f/293586193989128/674131/31e636bb57/paroc-ps-sandwich-panels-installation-guide-int.pdf), 03/2022.

## FAQ

### Como sei se o meu telhado tem estrutura de madeira, betão ou aço?

Do sótão, madeira à vista (asnas, madres, varas e ripas) é estrutura de madeira. Betão liso e contínuo a seguir a pendente é laje. Perfis dobrados e parafusados são aço. Esta forma de distinguir é nossa; se tiver dúvidas, peça a um técnico.

### Que sinais mostram que a estrutura do telhado pode estar em perigo?

A APICER e o CTCV põem a deformação acentuada do telhado entre os sinais de alerta, ligada a rotura estrutural e a empurrão sobre as fachadas. Na laje, o LNEC aponta a corrosão das armaduras, com fissuração e destacamento do betão. No aço, a corrosão. Em qualquer caso, chame um engenheiro.

### Que cargas de neve e de vento conta o engenheiro em Portugal?

Segundo apontamentos do IST (2011) sobre a norma, a neve tem três zonas e sk = Cz [1 + (H/500)²] kN/m², com Cz de 0,30, 0,20 e 0,10. O vento tem a zona A (27 m/s) e a zona B (30 m/s). Não lemos as normas nem o mapa de zonas: a zona do concelho dá-a o engenheiro.

### Trocar a telha por painel sandwich pede um engenheiro?

Na nossa leitura, sim. A APICER e o CTCV dizem que qualquer alteração significativa do peso, da distribuição das cargas ou dos apoios exige projeto integral e verificação da estrutura por baixo. A Kingspan diz que a subestrutura não vem no fornecimento e que o projetista ou o fornecedor a avalia.

### Quem pode assinar o projeto da estrutura de um telhado?

Pela Lei n.º 31/2009, na redação da Lei n.º 40/2015, o quadro do anexo III indica engenheiros civis e engenheiros técnicos civis para projetos de fundações e estruturas de edifícios, com inscrição válida na Ordem. O autor assina um termo de responsabilidade e tem de ter seguro de responsabilidade civil.

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